SpecPol 9º MINI-ONU

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Países vizinhos anunciam missão da OEA para mediar crise boliviana (Estadão)

Setembro 16, 2008 · Deixe um comentário

Por Roberto Lameirinhas, no Estadão:

Os nove presidentes sul-americanos reunidos ontem em Santiago, no Chile, num encontro de de emergência da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), aprovaram o envio de uma missão especial da Organização de Estados Americanos (OEA) à Bolívia para ajudar na busca de uma solução para a crise política naquele país. O secretário-geral da OEA, o chileno José Miguel Insulza, viaja hoje para La Paz para dar início à missão, que consiste em abrir um canal de negociação entre governo e oposição. O anúncio foi feito após seis horas de discussões a portas fechadas no Palácio la Moneda.

BBC

Debate moderado na Unasul. Foto: BBC

Durante o encontro, o presidente boliviano, Evo Morales, condicionou a instalação de uma mesa de diálogo pela OEA à desocupação dos prédios públicos tomados pela oposição e à investigação do que chamou de “massacre de Pando” – numa referência aos 15 mortos no departamento do norte da Bolívia nos últimos dias. Insulza declarou que a OEA estaria capacitada para realizar a apuração.

Os líderes de Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela expressaram apoio a Evo no documento final, além de respaldarem a integridade territorial boliviana. Segundo o chanceler do Peru, José Antonio García Belaúnde, a Unasul também estuda a possibilidade de acompanhar a investigação sobre as mortes em Pando e, após consultas ao governo e à oposição da Bolívia, acompanhar paralelamente a instalação da mesa de negociação.

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, resumiu, ao final do encontro, o objetivo dos líderes. “Evo precisa ter o apoio da região, ele é o presidente legitimamente eleito”, afirmou. “E essa legitimidade foi ratificada por 67% dos bolivianos”, acrescentou Lula. Segundo ele, “questões relativas ao tema do gás não foram tratadas na reunião” (…)

Lula e Bachelet na Unasul, 15/09. André Dusek/AE

Lula e Bachelet na Unasul, 15/09. Foto: André Dusek/AE

Seis horas de intensos debates para um só documento, minha gente! Aguardem o mesmo – ou mais – no SpecPol

E leiam também:

Brasil quer que texto da Unasul não cite EUA, diz jornal 

‘Lula toma as rédeas na crise boliviana’, diz ‘El País’

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Comissão de RE da Câmara quer ouvir Olivério Medina, das FARC

Agosto 19, 2008 · Deixe um comentário

Procês verem como é a situação: às vezes, o órgão de imprensa do governo é a melhor fonte de informação.

Tanto a Falha (sic) de São Paulo quanto o JB dão a notícia: a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados aprovou hoje, segunda, realização de uma audiência pública com Olivério Medina, o embaixador das FARC no Brasil. Ele tem status de refugiado político aqui no Brasil desde 2006, e é autor e assunto de alguns dos e-mails publicados pela revista colombiana Cambio.

Acontece que nem a Falha nem o Jornal do Brasil falam do mais importante: um certo deputado, independente, bondoso, honrado, foi contra:

(…) A aprovação da audiência não foi unânime. O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) lembrou que o Brasil tem tradição de acolher refugiados políticos, independentemente da corrente ideológica que seguem.

Ele acredita que a audiência pública é incompatível com a proteção ao refugiado, que deve ser garantida pelo Estado brasileiro. “O refugiado é alguém duplamente punido: pela ausência da pátria e pela ausência dos direitos políticos. Portanto, não se deve perguntar a sua causa. A ele apenas se dá a proteção”, argumentou. “O Brasil, pelo fato de ser uma civilização exemplar em tolerância, deve ter muito cuidado ao mexer com algo tão sagrado, que é o refúgio político extensivo a todos”, completou.

A consultoria jurídica da comissão deu parecer favorável à participação de refugiados políticos em audiências públicas. Olivério Medina será convidado para a reunião, mas terá o direito de não comparecer. (Fonte: Agência Câmara)

Isso mesmo, minha gente. Quem nos informa sobre a discordância desse comunista são somente a Agência Câmara e a Voz do Brasil (ouvi hoje).

O independente deputado Aldo Rebelo

O independente deputado Aldo Rebelo

O ilustríssimo deputado Aldo Rebelo pode me explicar como diabos ser convidado (e não obrigado a comparecer) pruma visitinha a Brasília machuca. Sendo refugiado, Medina não deve um mínimo de gratidão ao povo brasileiro? Um mínimo de satisfação?

E poxa, porque Rebelo é contra um mero convite? Afinal, Medina não foi convocado, só convidado.

Olivério Medina, embaixador das FARC no Brasil

Olivério Medina, embaixador das FARC no Brasil

Em tempo: o autor do pedido é o deputado Raul Jungmman (PPS- PE). Hoje, ele fez alguma coisa para combater o terrorismo. E você?

Deputado Raul Jungmann chamou Medina na chincha

Deputado Raul Jungmann chamou Medina na chincha

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AGORA o bicho vai pegar!

Agosto 6, 2008 · Deixe um comentário

Do blog do Reinaldo Azevedo:

Por Claudio Dantas Sequeira, na Folha:

Preocupado com a mobilização das Farc no exterior, o serviço de inteligência da Colômbia sugeriu ao governo de Álvaro Uribe a criação de um grupo secreto para agir fora das fronteiras do país. O plano, que consta de um informe reservado obtido com exclusividade pela Folha, prevê contra-ofensiva regional de Uribe nos frontes político, jurídico, midiático e de inteligência.

Essa espécie de embrião de uma “CIA colombiana” teria como alvo prioritário o Foro de São Paulo, encontro bianual de partidos políticos e organizações de esquerda da América Latina. O Foro foi constituído em 1990 na capital paulista por iniciativa do PT.

Para a inteligência, apesar de enfraquecidas internamente, as Farc se valem de uma “conjuntura favorável aos governos de esquerda”. Do Foro, segundo a inteligência, emanam as linhas mestras de ação regional dos setores pró-Farc, que estariam “pressionando organizações sociais e integrantes de governos de esquerda” para a criação de um “movimento” para isolar a Colômbia.

Para reagir a esse suposto movimento, o “governo colombiano deve promover uma estratégia integral que articule os setores: político, jurídico, diplomático, acadêmico, de inteligência e contra-inteligência”.

“O Ministério das Relações Exteriores, o Ministério da Defesa e o DAS [Departamento Administrativo de Segurança] deveriam avaliar a criação de um comitê técnico permanente de análise e ação externa”, diz o informe. O objetivo seria “canalizar de forma oportuna cursos de ação viáveis e concretos” por meio de “ferramentas” que assegurem ação integrada do “fator diplomático e de segurança e defesa nacional”.

O documento reservado, produzido pelo DAS, a inteligência colombiana, está datado de 7 de abril de 2008. Na análise, as diretrizes contra Uribe foram traçadas na declaração aprovada pelo Grupo de Trabalho do Foro, em 24 de março.

“A declaração, com matiz de condenação, alenta o aparato internacional das Farc. Promover uma série de denúncias contra a Colômbia, baseando-se na tese de agressão à soberania equatoriana, será a carta de navegação de núcleos no México, Equador, Nicarágua e Venezuela“, diz o documento, em referência ao ataque colombiano no Equador que matou o guerrilheiro Raúl Reyes em março.

Segundo a inteligência colombiana, o interesse das Farc “é estabelecer um cerco político que eventualmente gere medidas militares por parte dos países do hemisfério”. (…)

Agora, comentários do próprio Reinaldo Azevedo:

Parece haver certo exagero em associar tal iniciativa, a ser verdadeiro o documento, a uma CIA colombiana. De todo modo, a ser como se diz, o texto toca, de fato, no ponto central: quem articula as ações contra a Colômbia no Continente é o Foro de São Paulo, fundado por Lula e comandado por um brasileiro: Valter Pomar, secretário de Relações Internacionais do PT.

Seria muito bom que a Colômbia, de fato, resolvesse criar tal grupo. Quando menos, daria ao Foro a sua devida importância. Embora a maior parte da imprensa brasileira faça questão de ignorá-lo ou de menosprezá-lo, é ali que se articulam as ações da esquerda latino-americana, a despeito de suas muitas diferenças. E elas são hostis a Uribe e favoráveis aos terroristas, que o Foro chama de “guerrilheiros”.

O texto do post acima é um bom exemplo de por que é necessário jogar luzes na entidade. O que comandaram a tentativa de esmagar a Colômbia na OEA por ocasião da morte de Raúl Reyes, o terrorista pançudo, eram todos “foristas”. As articulações havidas no Brasil para impedir a extradição de Olivério Medina obedeceram a uma orientação do grupo.

Bem, finalmente as coisas estão claras. Durante alguns anos, abordar o Foro de São Paulo correspondia a assinar um atestado de paranóico. Os fatos se impuseram. E que se note: falar em “CIA” faz supor que Uribe pretende cassar no exterior os “inimigos da Colômbia”. Num país que vive sob permanente ataque terrorista, o procedimento seria compreensível. Mas, segundo a reportagem, o documento fala apenas em “estratégia integral que articule os setores político, jurídico, diplomático, acadêmico, de inteligência e contra-inteligência”.

Tomara que seja mesmo verdade. Afinal, como a gente pode ver, as Farc realmente seduzem muitas almas…

Leia também: Declaração Final do XIV Encontro do Foro de São Paulo, no site oficial do PT

Resolução sobre Colômbia, do mesmo encontro, maio de 2008

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FARC e PT: tudo a ver?

Agosto 1, 2008 · 1 Comentário

A revista colombiana Cambio publicou nesta quinta-feira um artigo sobre a relação entre PT e FARC, e, queira Deus, quanto mais bafafá melhor. O que não pode é abafar o bafafá.

Seja inteligente, leia o artigo original na revista Cambio em vez de falar com base no que outros estão dizendo.

Depois, acompanhe mais:

Naquela oportunidade, [Marco Aurélio] Garcia afirmou que o Brasil tem que assumir uma posição de não interferir no conflito colombiano, mas que também não pode ficar indiferente. (Do G1)

Me explique uma coisa: como não interferir e ainda assim não ficar indiferente? Marco Aurélio “Top Top” Garcia revela toda sua coerência.

Bom resumo, também do G1:

A revista colombiana “Cambio” publicou uma reportagem que afirma que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) tinham laços com o Brasil e que a relação “chegou até as mais altas esferas” do governo brasileiro, ao PT, a líderes políticos e ao Poder Judiciário. As informações, segundo a revista, foram tiradas de supostos e-mails encontrados no computador do ex-porta-voz internacional das Farc Raúl Reyes, morto em 1º de março.

A AnsaLatina diz:

No artigo são mencionados o chanceler brasileiro, Celso Amorim, o ex-ministro José Dirceu, Roberto Amaral, ex-ministro da Ciência e Tecnologia, a deputada Érika Kokay, Gilberto Carvalho, chefe de gabinete, Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência, e mais três funcionários.
Segundo a revista, as autoridades brasileiras são mencionadas em 85 mensagens trocadas por e-mail entre líderes das Farc e Oliverio Medina, representante da guerrilha no Brasil, além de dois outros homens.
O chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, manifestou hoje a preocupação do governo de seu país com o vazamento de tais informações.

O governo da Colômbia entregou ao do Brasil há mais de um mês toda essa informação e nós temos claro que cada governo saberá como dar curso a essa informação“, disse Bermúdez.

E sabem como o governo brasileiro vai “dar curso a essa informação“?

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse ontem [27 de julho de 2008] que, em algumas ocasiões, o governo colombiano passou ao Brasil dados sobre a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Mas, segundo ele, esses repasses foram entregues antes da visita do presidente Luis Inácio Lula da Silva à Colômbia, nos dias 19 e 20, e continham apenas “informações irrelevantes” sobre as Farc. (Dados sobre Farc são ”irrelevantes”, diz assessor de Lula (Estadão))

O chefe de gabinete nega tudo: Gilberto Carvalho: governo tem zero de relação com Farc, Terra Notícias.

Zero de relação? Como, se o governo deu status de refugiado político a Olivério Medina? Como, se a esposa de Medina trabalha na Secretaria da Pesca?

Em 2006, o Comitê Nacional para Refugiados (Conare) concedeu a “Cura Camilo” [Olivério Medina] o status de refugiado, decisão que pesou bastante para o Supremo Tribunal Federal (STF) negar seu pedido de extradição para a Colômbia. (UOL Notícias)

Observem a política externa em ação:

De acordo com a revista, quatro dos emails aos quais teve acesso citam diretamente o presidente Lula. A reportagem destaca a suposta diferença entre o tratamento dado ao presidente brasileiro, que teria sido alertado pessoalmente por Uribe, e os presidentes do Equador, Rafael Correa, e da Venezuela, Hugo Chávez, acusados pelo presidente colombiano de apoiar as Farc. (O Globo Online)

Cansou? Leia versão resumidíssima do caso.

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O Resgate de Ingrid Betancourt e mais 14 pessoas: golpe nas FARC

Julho 5, 2008 · Deixe um comentário

O Times britânico faz um bom resumo da Operação Jaque, ocorrida quarta, 2 de julho:

It will be remembered as one of the most audacious rescues of modern times, comparable in its derring-do to the Entebbe raid that snatched Israeli hostages from Uganda in 1976. The Colombian Army’s dispatch of a helicopter deep into the jungle to rescue Ingrid Betancourt and 14 other hostages held by Marxist rebels, with the help of American Intelligence, was a masterstroke of meticulous planning, ingenious deception and faultless execution that has won high praise for Álvaro Uribe, the President, and dealt a critical blow to Farc, the Revolutionary Armed Forces of Colombia.

The reaction of the outside world has been almost as ecstatic as in Colombia, where there was huge rejoicing at this latest setback to a ragtag guerrilla army that has, for more than 40 years, terrorised Latin America’s oldest democracy. In France, the release of Ms Betancourt after six harrowing years in captivity was treated as a cause for national celebration (…)

Mas o mesmo jornal traz artigo com dúvidas sobre a autenticidade da operação, que teria sido na verdade um resgate pago ou subornado, e não um legítimo resgate. Cita-se o valor de US$ 20 milhões.

Do outro lado, o governo da Colômbia nega tais acusações, e existem evidências de uma operação legítima: as aulas de teatro dos agentes envolvidos, a cooperação americana, e a consultoria de um espião isralense aposentado.

Este Diretor do SpecPol, Cedê Silva, não acredita em pagamento nenhum. As FARC perderam Raul Reyes, o nº2, em 1º de março, e o chamado nº6 logo depois. Estão apanhando feio. Elas precisam parecer fortes, e não concordariam numa operação que as fizesse de bobas. A menos que o falso resgate tenha sido apoiado apenas por fração das FARC e não pelo seu alto comando. O que considerando-se a importância da prisoneira Ingrid Betancourt é improvável.

Supreendentemente, o humanista e bondoso ex-presidente Fidel Castro saudou a libertação dos reféns.

O analista da Reuters Hugh Bronstein escreve que a Operação Jaque é sintoma da queda das FARC:

BOGOTA, July 4 (Reuters) – Colombia’s rescue of Ingrid Betancourt shows Latin America’s oldest insurgency is on the brink of defeat in its cocaine-financed war for control of the country, even though the group could take years to die out.

Wednesday’s rescue of French-Colombian politician Betancourt, three Americans and 11 Colombians held for years in the jungle immediately boosted confidence in the Andean nation as the peso currency surged along with the local stock market.

“This was the worst blow to the morale of the rebels ever,” Alvaro Jimenez, an ex-member of the demobilized Colombian M-19 guerrilla group, said. “But that does not mean the war is over. The death throes of this conflict could be very prolonged.”

With this and other recent strikes against leftist FARC rebels, U.S. ally President Alvaro Uribe has crowned his success at improving security in the industrialized north of the country, which is attracting record foreign investment (…)

Assistam a vídeo da operação (sem som) no site da BBC.

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